(SILA) em Curitiba
(Brasil) |
| O primeiro
SILA aconteceu em Curitiba (Brasil) nos dias 20, 21 e 23 de Março
de 2000. O seminário teve a organização de Sandra
Batista, e sua equipe na Secretária Estadual de Saúde
do Estado do Paraná. O SILA de Curitiba foi uma reunião com duração de três dias e com participação por convite, contando – entre outros – com representantes do sistema de saúde, do sistema de justiça criminal, do sistema educacional e representantes das associações de vizinhança, tratando com os definidores de políticas além dos que as implementam na prática. O Seminário foi aberto pelos secretários estaduais da Saúde, Educação e da Criança e Família do Estado do Paraná. Com a presença de aproximadamente 200 participantes, foram realizadas sessões plenárias e reuniões de subgrupos. As situações locais em relação às drogas e à Aids foram apresentadas bem como a situação em outras partes do mundo. Nos subgrupos foi discutido o desenvolvimento de políticas locais para as drogas e para a Aids. Para muitos, esta foi uma nova experiência. Chegou-se a conclusão que a redução de dano é uma política importante que deve ser incluída nas políticas locais de drogas e Aids e foi formado um grupo de trabalho para levar adiante o desenvolvimento das propostas do Seminário. Conferência de Jersey Na Conferência Internacional sobre Redução de Danos Relacionados com Abuso de Drogas realizada em Jersey, em Abril de 2000, a experiência de Curitiba foi apresentada por Sandra Batista. A platéia era composta principalmente de pessoas da América Latina e alguns peritos de outras partes do mundo. A platéia demonstrou-se muito interessada no SILA, com algumas pessoas buscando obter informações sobre a realização de SILA’s em suas cidades. Avaliação No dia 5 de Junho de 2000, o Seminário foi avaliado. A avaliação foi organizada por Sandra Batista de Curitiba. O SILA estava representado por Mônica Gorgulho (Brasil) e Ernst Buning (Holanda). A reunião de avaliação foi dividida em duas partes: na parte da manhã, em conjunto com um pequeno grupo de técnicos (14 pessoas) e na parte da tarde, com um grupo maior de pessoas no qual foram incluídos geradores de políticas também (26 pessoas). Abaixo apresentamos um resumo do que foi levantado. Após o Seminário em Março, foi formado um grupo de aproximadamente 20 pessoas. Este grupo era composto de representantes dos diferentes setores: saúde, educação, família, polícia, justiça, ONG’s e da comunidade. Um documento oficial de fundação do grupo foi apresentado (Câmara Técnica de Questões Relacionadas ao Uso de Drogas). A ‘Câmara Técnica’ se reuniu 5 vezes e instalou 4 grupos de trabalho:
O trabalho dos subgrupos foi baseado nos relatórios dos subgrupos do Seminário. No decorrer da reunião de avaliação, as seguintes questões foram tratadas: Um dos grupos de trabalho começou com o mapeamento das iniciativas existentes. Até o momento, este mapeamento consiste principalmente de uma lista de nomes e endereços, porém está planejado um mapeamento mais preciso. Muitas organizações estão trabalhando isoladas. A discussão sobre ‘tratamento’ e ‘prevenção’ ainda está aberta. Ficou claro que em Curitiba, muitas pessoas e organizações ainda não têm definições claras do que são tratamento e prevenção na realidade. A reorganização do sistema de saúde mental está prevista e neste debate, a questão do uso de drogas não está sendo levada em consideração da maneira correta. O grupo do SILA garantirá que a questão das drogas seja inserida na pauta. Os hospitais gerais têm a possibilidade de desintoxicar usuários de drogas, mas isto não é feito. O tratamento em comunidades terapêuticas é feito adotando modelos muito antigos. Auxílio a usuários de drogas é feito principalmente por voluntários. O SILA ajudou as organizações de enfermagem a focalizarem as drogas de uma maneira diferente (que as drogas não são apenas ruins). Foi executado um levantamento nas escolas e descobriu-se que os professores não são bem treinados na prevenção das drogas. Sentiu-se que a prevenção ao uso de drogas deveria ser integrada na prevenção geral (que deve incluir sexo, cidadania, etc.). Foi proposto que a prevenção das drogas seja incluída nos treinamentos extras que os professores recebem regularmente nos centros especializados. A polícia civil está envolvida na prevenção nas escolas e gostaria de estabelecer um vínculo com a área da prevenção/auxílio. A polícia civil gostaria de servir a comunidade e fazer mais do que apenas a repressão. Estão buscando parceiros nesta área. Representantes da câmara de vereadores estão buscando informação técnica que permita a redação de propostas para alterações nas leis que regem e promovem as atividades de redução de dano. CONEN (o departamento de estado para assuntos relacionados com drogas) não está funcionando corretamente, porém agora que perceberam que o grupo SILA está começando a funcionar, eles estão tentando re-alinhar seu trabalho. O representante do CONEN está preocupado com o grupo SILA. O CONEN é responsável pelas políticas. Todas as novas leis têm que passar primeiro pelo CONEN. O representante da Secretaria Estadual da Saúde deixou claro que o papel do CONEN é deliberar, e que o papel do grupo do SILA tem um cunho mais prático. O reconhecimento do papel de cada um é importante. O grupo do SILA pode vir a reforçar a posição do CONEN. O SILA ajudou a desenvolver uma visão mais ampla do que pode ser feito em Curitiba. O SILA motivou as pessoas a trabalharem juntas e deu-lhes autoridade e propriedade sobre suas ações. O SILA levantou dúvidas sobre o que estão fazendo e isto é necessário para criar/provocar mudanças. O SILA ofereceu uma oportunidade para que representantes dos diferentes setores se sentassem juntos, percebessem que compartilham uma meta em comum e começassem a discutir em torno disso. A questão drogas/AIDS agora passou a ser um item nos diferentes setores. O SILA estimulou a discussão sobre redução de danos e incluiu a classe política no debate. Sandra Batista está considerando a possibilidade de organizar uma Conferência Latina Americana sobre o vínculo entre os sistemas de justiça criminal e de saúde. A polícia civil e o sistema de saúde da cidade de Curitiba desenvolverão uma série de projetos conjuntos nesta área e pode haver interesse em Curitiba para sediar esta Conferência Latino Americana em meados de 2001. Conclusões Preliminares Até o momento, pode ser concluído que o conceito do SILA foi bem vindo em Curitiba, e que a necessidade de se alterar a política de drogas e AIDS para um modo mais pragmático e orientado para a saúde pública além de se reforçar a cooperação entre as partes envolvidas ficou aparente. Dado o fato que problemas relacionados com as drogas e a Aids estão aumentando nesta parte do mundo, acreditamos que o SILA possa contribuir de maneira eficaz para a contenção da epidemia de AIDS e do uso de drogas nesta parte da América Latina. |
As
duas moderadoras : Sandra Batista
(esquerda) e Monica Gorgulho
(direita) |
Discussões, questionamentos e respostas na sessão plenária. |
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Robert Haemmig de Berna (Suíssa) falou sobre a experiência de sua cidade na implementação de redução de danos |
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Yael van Hulst (USA) falou sobre a Aids nos USA e sua experiência com redução de danos |
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Graciela Touze (Argentina), presidente da Rede Latino Americana de Redução de Danos (Relard) falou sobre Avaliação Rápida (Rapid Assessment) |
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No terceiro dia, os subgrupos trabalharam na formulação de objetivos para uma política local para drogas e Aids. Também foram discutidos quais instrumentos estariam disponíveis e como a política poderia ser implementada e avaliada. |
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Os subgrupos apresentaram os resultados de seus debates para o plenário. |
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O Secretário de Estado da Saúde do Paraná, Dr. Armando, deu seu apoio incondicional ao Seminário e ficou entusiasmado com os resultados evidenciados. |